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Sobre

Daniel Lobo

Daniel Lobo é o fundador do Estudante Engenheiro e editor do blog.

No novo episódio do TALKS com um Veterano, trazemos Gime Pitra, estudante finalista de Engenharia Química no ISPTEC, que se destaca pela sua trajectória académica e prática singular.


Gime foi duas vezes distinguido no Quadro de Honras, vencedor da segunda edição do Startup Summit, convidado para palestrar na Semana Académica de Engenharia Química da Universidade Federal do Espírito Santo (Brasil) e muito mais.


Acompanhe a nossa conversa com este futuro engenheiro, que pode servir de inspiração para todos nós.




Entrevista

Escolha do curso e Universidade

O que te motivou a escolher um curso de Engenharia?

Na verdade, sempre fui muito admirador da Química e suas aplicações práticas, eu fiz no médio Bioquímica.


Apesar de inicialmente ter pensado em seguir apenas Química, percebi que a Engenharia Química me permitiria aliar meu interesse científico com uma formação mais voltada para a resolução de problemas reais e o desenvolvimento de processos industriais.

 

Quais disciplinas ou áreas específicas do seu curso de Engenharia que mais se interessam e por quê?

Tenho grande interesse pelas disciplinas relacionadas a operações unitárias, cinética química e controle de processos. Vejo nessas áreas a oportunidade de aplicar meus conhecimentos químicos na optimização e melhoria de processos industriais, o que sempre me motivou.

 

Qual foi o maior desafio que enfrentou até agora na universidade e como o superou?

O maior desafio tem sido conciliar a carga horária pesada do curso de Engenharia Química com outras actividades, como pesquisas, startup e estágio. Para superar isso, aprendi a gerenciar melhor meu tempo, criando uma rotina de estudos e me organizando com antecedência para cumprir os prazos.


(...) Aprendi a gerenciar melhor meu tempo, criando uma rotina de estudos e me organizando com antecedência para cumprir os prazos.

 

Experiência Prática

Teve a oportunidade de realizar estágios ou trabalhos práticos na área de Engenharia? Se sim, como foi essa experiência?

Sim, tive a oportunidade de desenvolver vários projectos voltados à Engenharia no seu todo e Química e inclusive com prêmios nacionais e internacionais.


Tem sido uma boa experiência, pois pude colocar em prática os conceitos aprendidos em sala de aula e aprender sobre os desafios reais da operação de uma planta industrial. Todos estes projectos foram desenvolvidos na universidade, ISPTEC.

 

Você mencionou que a formação em Engenharia Química lhe permitiria aliar o interesse científico com a resolução de problemas reais. Pode nos contar sobre algum projecto ou pesquisa que desenvolveu para solucionar um problema em nossa comunidade?

A produção de pellets energéticos a partir de cascas de amendoins e de resíduos verdes como fonte alternativa para substituição de combustíveis fósseis no processo de panificação.


O nosso principal objectivo com esta fonte alternativa é reduzir significativamente o actual preço do pão no mercado. Várias foram as fases de elaboração deste projecto, pesquisa de campo, laboratório e entre outros. São uma alternativa ecológica aos combustíveis fósseis, renovável e CO2 neutro. Também são fáceis de armazenar e transportar.


No ano 2022 tivemos a iniciativa de desenvolver o projecto PROSIL, uma iniciativa inovadora que visa aproveitar a enorme quantidade de resíduos gerados na comercialização de peixe fresco no mercado da Mabunda, Município Samba, aqui em Luanda.


Através do PROSIL, planeamos transformar mais de 20 toneladas de resíduos provenientes do tratamento de peixe, juntamente com outros resíduos orgânicos resultantes da comercialização de frutas e legumes, em silagem.


A silagem, uma mistura e armazenamento dos componentes orgânicos mencionados, é uma fonte rica em carboidratos e ácidos, resultando em ensilados com alto teor proteico e lipídico.


Estes produtos têm diversas aplicações no sector agrícola, destacando-se como alternativa à ração animal e na produção de fertilizantes.

 

Teve a oportunidade de colaborar em algum projecto com estudantes de outras universidades? Além disso, qual é a sua visão sobre a importância da colaboração inter-universitária em pesquisa e desenvolvimento de projectos?

Sim, actualmente estou colaborando em um projecto com a AROTEC, que envolve estudantes de diferentes universidades.


Neste projecto, estamos desenvolvendo um sistema de monitoramento e simulação de processos industriais, com foco em aplicações específicas para a indústria química e de petróleo, como FPSOs e colunas de destilação.


Temos a Startup Estudante Carneiro, uma Startup que trabalha com estudantes de várias universidades.


Acredito que a colaboração entre universidades é fundamental para o desenvolvimento da Engenharia. Ao unir forças e partilhar conhecimentos, podemos abordar problemas complexos de forma mais abrangente.  Eu sempre acreditei que mais do que competitividade, precisamos de colaboração.


O desenvolvimento da educação depende exatamente disto, o quanto conseguimos partilhar o que sabemos e o quanto estamos abertos para aprender o que não sabemos com os outros. 


As universidades precisam colaborar entre si, desenvolver programas de intercâmbio, jornadas científicas em conjunto e programas de pesquisa.


E também, de forma particular, tenho ajudado com mentoria estudantes de outros lugares.


Acredito que a colaboração entre universidades é fundamental para o desenvolvimento da Engenharia. (..) Mais do que a competitividade, precisamos de colaboração.

 

Planos para o futuro

Quais são seus planos para o futuro após a licenciatura?

Estou buscando por oportunidades de emprego mas, se não acontecer tão cedo, pretendo cursar um mestrado na área de Engenharia de Processos ou área voltada aos petróleos.


Meu objectivo é me especializar em temas como simulação computacional, continuar a desenvolver meus projectos e outros.

 

Dicas e conselhos

Na sua opinião, quais são as principais qualidades que um estudante de Engenharia deve ter para ter sucesso na universidade?

Além do domínio dos conceitos técnicos, considero essencial a curiosidade científica, a capacidade de resolver problemas de forma criativa e a disciplina para cumprir os prazos e estudar constantemente.


O estudante de Engenharia também deve ter habilidades de trabalho em equipe e comunicação.


(...) Considero essencial a curiosidade científica, a capacidade de resolver problemas de forma criativa e a disciplina para cumprir prazos.

 

Que dicas darias aos caloiros de Engenharia?

Minha principal dica seria: aproveitem ao máximo as oportunidades de estágio, pesquisas científicas e participação em projectos de extensão. Essa vivência prática complementa muito o aprendizado teórico e prepara vocês para os desafios da vida profissional.


Além disso, criem uma rede de apoio com seus colegas, pois a Engenharia é um mundo que se faz em conjunto.

 

Aproveitem ao máximo as oportunidades de estágio, pesquisas científicas e participação em projectos de extensão.

Gime partilhou connosco um pouco de sua jornada pelo mundo da Engenharia, uma jornada pavimentada por puro interesse científico e vontade de fazer a diferença em nossa comunidade, aplicando seus conhecimentos a resolução de problemas reais.


E Engenharia é basicamente isto: resolução de problemas! Então, futuros engenheiros, a par de "bater o caso mais difícil na prova", procurem "bater" também os problemas que nos batem a porta, nas nossas comunidades, sem resposta nenhuma.


Gostou da conversa com o Gime? Partilhe este artigo com seus colegas e amigos para que também possam se inspirar! Deixe seu comentário abaixo e conte-nos sobre suas próprias experiências e desafios.


E não se esqueça de seguir nossa rubrica TALKS com um Veterano a partir do Linkedin para mais entrevistas.



Até a próxima.

Categoria

Universidade
3 de junho de 2024

TALKS com um veterano: Gime Pitra, estudante de engenharia química [Ep. 02]

Gime Pitra, estudante finalista de Engenharia Química no ISPTEC, que se destaca pela sua trajectória académica e prática singular.

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